Uso de cartão de crédito no e-commerce

O panorama de pagamentos digitais na América Latina está em constante evolução, e as projeções do Ebanx revelam um dado crucial para quem atua no comércio eletrônico: o uso de cartão de crédito no e-commerce deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) de 12% até 2028. Esse crescimento notável não só consolida a posição do cartão como um método de pagamento fundamental, mas também sublinha a resiliência e a adaptabilidade do instrumento em face da crescente concorrência de novos métodos, como o Pix.

Primeiramente, a expansão do crédito está intimamente ligada à bancarização acelerada na região. Em virtude disso, milhões de consumidores foram incluídos no sistema financeiro, e, consequentemente, ganharam acesso a diferentes tipos de cartões. Esse aumento na base de usuários de crédito impulsiona diretamente o volume de transações no e-commerce. Assim sendo, o cartão de crédito não é apenas um método de pagamento; aliás, é uma ferramenta de inclusão que fomenta o consumo digital.

Cartão de crédito no e-commerce

A força do parcelamento e do alto ticket

Embora o Pix seja dominante em transações de baixo valor e pagamentos instantâneos, o cartão de crédito mantém sua supremacia em compras de alto ticket. Por exemplo, a possibilidade de parcelar grandes aquisições sem juros, ou com juros, continua a ser um diferencial imbatível, principalmente no mercado brasileiro. A flexibilidade que o parcelamento oferece é crucial para que os consumidores realizem compras mais caras, o que, por sua vez, eleva o ticket médio das lojas virtuais.

Além disso, o cartão de crédito é o método preferencial para a aquisição de serviços recorrentes. De fato, em modelos de assinatura, como streaming ou SaaS, a recorrência automatizada do cartão oferece comodidade e reduz a taxa de churn (cancelamento). Portanto, para negócios que dependem de pagamentos contínuos, a aceitação otimizada do crédito é uma prioridade estratégica.

O papel dos emissores digitais na projeção

Um fator importante por trás dessa projeção de 12% é a mudança no perfil dos emissores. Antigamente, os bancos tradicionais monopolizavam o mercado. No entanto, o surgimento de fintechs e bancos digitais transformou essa dinâmica. Atualmente, esses emissores digitais já detêm uma fatia significativa do mercado e são responsáveis por tornar o crédito mais acessível e menos burocrático.

Conquanto a competição seja intensa, a diversificação de emissores beneficia diretamente o e-commerce. Como resultado, o mercado ganha mais opções de cartões (crédito, débito, pré-pago) e as taxas de aprovação de transações tendem a ser mais altas, já que as plataformas de pagamento conseguem rotear as operações de forma mais inteligente. Em outras palavras, a infraestrutura de pagamentos se tornou mais eficiente.

BNPL e o Reforço do ecossistema de crédito

A tendência do Buy Now, Pay Later (BNPL) – Compre Agora, Pague Depois – não compete com o cartão, mas atua como um forte complemento no ecossistema de crédito digital. Semelhantemente ao parcelamento tradicional, o BNPL oferece flexibilidade, e, outrossim, amplia as opções de pagamento no checkout.

Logo, varejistas que integram diversas soluções de crédito, inclusive o BNPL e o crédito tradicional, conseguem atender a um espectro maior de necessidades dos clientes. Desse modo, a experiência de compra é otimizada e a taxa de conversão aumenta. Em suma, a inovação no crédito é o motor que mantém a relevância do cartão no ambiente digital.

Cartão de crédito no e-commerce

A complementaridade com outros métodos

Alguns analistas previram que o Pix poderia ofuscar totalmente o cartão de crédito. Todavia, o cenário real mostra a coexistência e a complementaridade entre os métodos. O cliente usa o Pix para a agilidade no pagamento à vista e o cartão para a segurança e o parcelamento. Dessa forma, o lojista deve garantir que todos os métodos sejam oferecidos com a mesma excelência.

Em conclusão, a projeção de crescimento uso cartão e-commerce reforça a necessidade de estratégias de pagamento robustas. As empresas que investirem em gateways de pagamento que otimizam o roteamento, minimizam a fraude e oferecem uma experiência de checkout localizada, por certo, estarão preparadas para capitalizar esse crescimento de 12% até 2028. É imperativo que as lojas virtuais vejam o cartão de crédito não como um método antigo, mas como um pilar de crescimento e sustentação para o alto valor e a recorrência.

Fonte: Valor Econômico