Nos próximos anos, o comércio eletrônico deverá crescer significativamente em mercados emergentes. Um relatório da fintech canadense Nuvei prevê que países como Brasil, África do Sul, México, Hong Kong, Chile, Índia, Colômbia e Emirados Árabes Unidos registrarão uma taxa média de crescimento anual de 24% até 2027. Inovações em métodos de pagamento e adaptações às necessidades locais impulsionam esse cenário promissor.
Brasil: um mercado em ascensão
O Brasil se destaca com uma previsão impressionante de crescimento de 28% no e-commerce, liderando o faturamento na América Latina.

A evolução digital do Brasil e seu impacto no e-commerce
Empresas asiáticas de e-commerce, reconhecidas pela inovação, têm encontrado semelhanças significativas entre os consumidores brasileiros e os de países como China, Hong Kong, Japão e Cingapura. Contudo, essa realidade nem sempre foi assim. Desde a implementação do Plano Real em 1994, o Brasil passou por uma transformação econômica e social que alterou profundamente a relação da população com o dinheiro e o comércio.
A transformação econômica e digital do Brasil
O Plano Real foi um marco na estabilização da economia brasileira, combatendo uma inflação que ultrapassava os 4.000%. Desde então, o país tem progredido significativamente em direção à digitalização. Os reguladores desempenharam um papel crucial ao promover a digitalização do dinheiro e dos pagamentos, além de expandir a aceitação de cartões de crédito e débito. Como resultado, o e-commerce emergiu como uma ferramenta vital para modernizar a economia.
Nos últimos anos, o governo incentivou o crescimento dos bancos digitais, tornando os produtos financeiros mais acessíveis. Além disso, a criação do sistema de transferência interoperável PIX revolucionou os pagamentos no Brasil. Com uma adoção impressionante, o Pix atingiu quase 2,2 bilhões de transações em agosto de 2022, evidenciando o avanço dos brasileiros em sua jornada digital.
O Brasil como potência digital e destino para o comércio internacional
Graças a esses esforços, além do trabalho de bancos, comércios e fintechs, o Brasil se consolidou como uma potência digital. Atualmente, 96% dos adultos possuem relacionamento com instituições financeiras ou fintechs, e o uso de dinheiro físico está em declínio. Em 2022, o mercado de e-commerce brasileiro atingiu US$ 211 bilhões, representando mais de 40% do volume total na América Latina. Por essas razões, o Brasil se tornou um dos 10 principais mercados globais para comerciantes em busca de expansão internacional.
Empresas asiáticas como AliExpress, Shopee e Shein se estabeleceram firmemente no mercado brasileiro nos últimos cinco anos. Em julho de 2022, cerca de 75% dos brasileiros compravam online, totalizando 128 milhões de consumidores. Dentre eles, 58% são mulheres, com idade média entre 36 e 50 anos, uma faixa etária que possui recursos, experiência e disposição para gastar.
As expectativas dos consumidores brasileiros e o futuro do e-commerce
Os brasileiros são consumidores digitais sofisticados, que demandam experiências de compra e pagamento inovadoras e sem falhas. Isso tem atraído comerciantes globais de renome, especialmente empresas asiáticas que possuem expertise em atender consumidores altamente digitalizados. Entre 2022 e 2026, projeta-se que o gasto anual de e-commerce per capita no Brasil aumente a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 19%.
Em resumo, a evolução digital do Brasil transformou o país em um mercado atraente para o e-commerce. A combinação de uma população experiente e exigente, juntamente com um ambiente econômico e tecnológico favorável, posiciona o Brasil como um destino estratégico para empresas globais que buscam expandir suas operações.

Colômbia: oportunidades de crescimento
Na Colômbia, o e-commerce deve dobrar de receita, atingindo US$ 80 bilhões até 2027. Uma população jovem e conectada impulsiona esse crescimento, adotando rapidamente pagamentos via celular. Carteiras digitais como Nequi e DaviPlata, que eram pouco conhecidas há alguns anos, agora representam uma parcela significativa das transações online. As empresas devem priorizar plataformas adaptadas para dispositivos móveis e adotar métodos de pagamento locais.
Emirados Árabes Unidos: expansão em um mercado de alta renda
Nos Emirados Árabes Unidos, o e-commerce deve crescer 58,2%, alcançando um faturamento de US$ 16,3 bilhões em 2027. A alta renda da população, majoritariamente composta por estrangeiros, impulsiona o uso de cartões de crédito internacionais, que representam 60% das transações online. Além disso, a modalidade “compre agora, pague depois” está ganhando popularidade, representando 8% das vendas online. O setor de viagens e o varejo são áreas promissoras para expansão no comércio eletrônico local.
Fatores convergentes para o sucesso
Esses mercados compartilham fatores que favorecem o crescimento do e-commerce, como a expansão da infraestrutura digital, o aumento da população de classe média e a popularização da internet e dos smartphones. O relatório da Nuvei destaca que adaptar os meios de pagamento às preferências locais é essencial para o sucesso no e-commerce. Portanto, as empresas devem conhecer e adotar métodos de pagamento específicos para cada mercado a fim de prosperar.
Conclusão
Em suma, o panorama do e-commerce em mercados emergentes é promissor, com crescimento robusto previsto até 2027. Além disso, países como Brasil, Colômbia e Emirados Árabes Unidos lideram essa transformação, impulsionados por inovações tecnológicas e adaptações locais em métodos de pagamento. As empresas que buscam expandir suas operações nesses mercados devem estar atentas às tendências locais e investir em soluções que atendam às necessidades específicas de cada região.
Fonte: Mercado & Consumo


